em meio a selva de concreto me sentindo assim meio abstrato.

Quem foi que me salvou dos braços da gravidade?

Tive uma vertigem, talvez longa demais. Me senti perdida. Todas as cores se perderam no ar. Como empurradas pelo vento viraram uma. E eu não sabia dar um nome ao que virou. As vi borrando, se unindo. A princípio estavam tão bonitas, mas depois eram uma cor que não posso nem dizer se era clara ou escura. Mas eu estava debruçada na janela quando tudo aconteceu. Me segurei em um pedaço de pano, sem diferenciar se era meu vestido ou a cortina. Senti dois braços me carregando. 
Ainda não descobri de quem eram.



(Amanda Magalhães)